Entrevista Com Professor Clever Fernandes

Clever Luiz Fernandes é professor de filosofia e coordenador do Curso de Licenciatura em Ciências Humanas, da Universidade Federal do Maranhão-UFMA. É mestre em História pela Universidade Federal de Goiás, especialista em História do Brasil pela mesma instituição e graduado em Filosofia pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais, em Belo Horizonte – MG. Autor de dois livros sobre política, num analisa a ação dos políticos brasileiros no Brasil Central, “A UDN e o PSD goianos”; e, no outro, produz uma analise do discurso sobre a modernização do Brasil a partir do autor do projeto que deu origem a rodovia Belém-Brasília, “Jalles Machado: utopia e modernidade” ambos em coautoria com Reginaldo Lima de Aquino. Nessa entrevista concedida ao Programa de Educação Tutorial de Ciências Naturais da UFMA/CAMPUS III Bacabal – PET de Ciências Naturais, Fernandes narra sobre a implantação e desenvolvimento do Curso de Ciências Humanas na UFMA, como uma modalidade pioneira no processo de formação de professores, e nos apresenta também um pouco de sua trajetória acadêmica destacando as suas principais linhas de pesquisa atualmente.
(Entrevistado por: Tiago Rodrigues dos Reis e Leila Mayanne Silva Viana – Discentes do Curso de Licenciatura em Ciências Naturais – Fevereiro/2017).

PET: QUAL O SEU CAMPO DE FORMAÇÃO?
Prof. Clever Fernandes:

Meu campo de formação é filosofia, mas a minha trajetória para chegar à formação num curso de graduação em Filosofia, passou pela Ciência da Natureza. Assim que conclui o meu Ensino Secundário (Hoje Ensino Médio), fiz o meu primeiro vestibular para um Curso de Licenciatura em Física, na Universidade Federal do Amazonas, cursei cinco semestres e foi quando fui pagar uma disciplina optativa, que conheci e me apaixonei pela Filosofia. Depois de fazer aquela disciplina de “Introdução à Filosofia” desliguei-me do curso de Física e decidi fazer Filosofia. Não na mesma cidade. Minha mudança foi total, deixei o curso e a cidade de Manaus, fui estudar Filosofia, em Belo Horizonte, na Pontifícia Universidade Católica-PUC. Depois de formado iniciei minha vida como professor da educação básica, no primeiro momento não de filosofia, pois quando conclui meu curso não existia a disciplina de Filosofia na matriz curricular do ensino médio brasileiro. Atuei inicialmente como professor de História, Geografia e Ensino Religioso na rede pública e privada. Isso foi possível, pois na época que estudei recebíamos do Ministério da Educação três habilitações Filosofia, Sociologia e História. Então sou habilitado para ministrar essas três disciplinas no Ensino Médio. Mesmo assim, como disse anteriormente, trabalhei como professor na educação básica ministrando aulas de História, Geografia e Ensino Religioso. Nessa época, morando em Goiânia, para dar continuidade em minha formação acadêmica fiz na Universidade Federal de Goiás um curso de Especialização em Historia do Brasil, e depois entrei para o Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu em História da UFG. Neste momento pesquisando história política na Especialização e no Mestrado da UFG publiquei dois livros: um analisando a ação dos políticos brasileiros no Brasil Central “A UDN e o PSD goianos”, e no outro realizei uma analise do discurso sobre a modernização do Brasil a partir do autor do projeto que deu origem a rodovia Belém-Brasília “Jalles Machado: utopia e modernidade”, ambos em coautoria com Reginaldo Lima de Aquino, um amigo e companheiro de trabalho e pesquisa durante muitos anos.

PET: COMO SE DEU SUA VINDA PARA BACABAL?
Prof. Clever Fernandes:

Depois de muitos anos trabalhando na rede privada de ensino em Goiás resolvi correr atrás de concurso publico, mas não fiz isso sozinho. Tinha em Goiânia-GO um grupo de amigos fazendo concurso, e muitos fizeram concurso aqui na Universidade Federal do Maranhão, em 2009. Quatro passaram e me incentivaram a vir participar do concurso para professor de Filosofia neste novo curso que estava previsto abrir em 2010. Como a ideia era sair da iniciativa privada e entrar para uma Universidade Federal, não estava preocupado onde seria, podia ser em Goiás, em Minas, Amazonas, ou no Maranhão. Já tínhamos realizados algumas inscrições e algumas provas. Porém, quando eles fizeram as provas aqui no Maranhão não participei, só depois que saiu o resultado e não houve o preenchimento das vagas, a Universidade publicou novamente edital, que resolvi me inscrever e fazer as provas. As provas foram adiadas, pois o presidente da banca faleceu. Essa tragédia deu aos candidatos mais três meses de espera e estudos. Fiz as provas, passei e fui chamado para trabalhar aqui no Campus de Bacabal – MA. Então foi nessa busca aventureira de me tornar professor da rede federal de ensino que me fez chegar aqui em Bacabal no Maranhão. Não foi uma ação planejada, Bacabal – MA entrou em minha vida porque se colocou como uma oportunidade profissional.

PET: QUAL SUA LINHA DE PESQUISA AQUI NO CAMPUS?
Prof. Clever Fernandes:

Tem alguns anos que pesquiso basicamente dois pensadores: Deleuze e Spinoza. Minha prioridade é o pensamento do filósofo francês Gilles Deleuze. É o pensador que mais me interessa. Já estudei todas as suas obras, é alguém que persigo e tenho tentado compreender um pouco a sua experiência do pensamento, o seu projeto filosófico. A partir dele tenho desenvolvido especificamente um trabalho no campo da estética e da politica. Busco desenvolver uma pesquisa sobre o conceito de resistência nas obras de Deleuze, isso é algo que estou costurando há algum tempo, mas ainda não virou trabalho. Objetivamente não escrevi nada sobre isso, tenho algo que esta gravitando em torno. Para não dizer que não escrevi absolutamente nada, tenho apenas um projeto de pesquisa. Minha ideia, de fato, é caminhar para uma pesquisa no doutorado sobre a questão da resistência em Deleuze. Quero compreender: Como ele construiu o conceito de resistência? Como funciona este conceito para ele? E outra questão da ideia de resistência no pensamento deleuziano que quero investigar é como se dá essa movimentação da ideia entre a política e a estética. Deleuze é o primeiro grande objeto de minha investigação filosófica. Outro pensador que me interessa bastante é Baruch Spinoza, e acabei optando por estudar ele ou colocando ele como objeto de investigação, ou melhor dizendo, fui conduzido para as obras do filósofo de Amsterdã pelas mãos de Deleuze. Foi lendo os livros de Deleuze que fui despertado para o potente pensamento de Spinoza. Considero que Spinoza foi um feliz encontro que realizei na vida. Durante minha graduação em Filosofia, infelizmente meu professor me apresentou um Spinoza confuso, panteísta, o pensador maldito. Ele reproduziu os preconceitos e deformações do spinozismo. Os religiosos tinham muita resistência ao pensamento deste incrível pensador. Ele foi banido da comunidade judaica, os livros dele foram colocados como livros proibidos pelo index da igreja católica. Quando estava estudando a filosofia moderna, meu professor, um padre salesiano apenas reproduziu a visão do spinozismo como coisa maldita. Por muito tempo fiquei com essa visão, mesmo depois de ler o primeiro volume da Nervura do Real, da professora Marilena Chauí, não me despertei para o pensamento dele. Ainda não tinha realizado um encontro com ele. Foi lendo uma obra do Deleuze chamada “Espinosa: Filosofia Prática”, um livrinho curtíssimo ele não tem 100 páginas. Livro breve, mas muito atrativo. Este livro foi o intercessor no sentido deleuziano do termo. Ele me fez pensar a partir daquele momento de outra forma o projeto filosófico do pensador holandês Spinoza. Foi a partir dessa leitura que comecei a me aventurar então lendo Spinoza. Eu li o Spinoza de Deleuze, e fui atrás da Ética de Spinoza, para ler o Spinoza por ele mesmo, a Ética é sua principal obra. Li depois todos os outros trabalhos de Spinoza porque não são tantos, qualquer pessoa pode ler Spinoza, basta querer. Como diz o professor Clóvis de Barros Filhos: Temos apenas que superar a preguiça e a covardia, difícil foi produzir. Estudar e ler é sempre mais fácil.
Há pouco tempo, não tem dois anos a Editora Perspectiva lançou um Compêndio, uma Coletânea organizando todos os textos, todas as obras de Spinoza em quatro volumes, então em quatro livros você tem todos os trabalhos de Spinoza publicado: 83 Cartas, os Tratados, a Ética, a Gramática da Língua Hebraica que ele escreveu. Estão tudo ali em quatro livros. Além desse Compêndio, temos no mercado editorial brasileiro um leque de produção sobre Spinoza. Ano passado, 2016, a Editora da USP publicou um belo exemplar da Ética, trabalho de tradução realizada pelo Grupo de Estudo Espinosano, coordenado pela professora Marilena Chauí. Obra linda do ponto de vista estético, e de fácil manuseio na leitura. Então Spinoza e Deleuze são os dois grandes filósofos que pesquiso e desenvolvo um trabalho de investigação.

PET: PROFESSOR VAMOS AGORA FALAR UM POUCO SOBRE O CURSO DE LICENCIATURA EM CIÊNCIAS HUMANAS: COMO SURGIU E COMO FUNCIONA ESSA HABILITAÇÃO EM SOCIOLOGIA?
Prof. Clever Fernandes:

Nosso curso de Ciências Humanas é um curso que nasceu como uma experiência pedagógica. Desde 1996 o MEC tem sinalizado para uma restruturação da forma como se pensa e classifica o conhecimento humano. Então, não sei se vocês já leram documentos do MEC do final dos anos 1990, os técnicos e responsáveis pela produção desses documentos estão falando de três grandes áreas do saber: Ciências Humanas e suas Tecnologias; Ciências Naturais e suas Tecnologias; Linguagens e Códigos e suas Tecnologias. Foi uma forma que os documentos do MEC começaram a falar sobre as áreas do conhecimento humano, descartando uma classificação anterior e criando então uma nova forma de classificar as ciências e os outros saberes não científicos. Além dessa mudança semântica, por muito tempo já vinham tentando provocar algumas instituições para assumirem esse tipo de curso, um curso não disciplinar. Um curso interdisciplinar, um curso que abrangesse áreas de conhecimento. Essa proposta de criação de cursos não disciplinares está dentro de um processo maior, que foi o da expansão do ensino superior no Brasil, num programa capitaneado no governo Lula em 2004. Se não estou enganado, depois de 2004, conhecido como REUNI. O REUNI foi um processo de restruturação das Universidades Federais do Brasil, a ideia era ampliar as vagas no ensino superior. Para efetivar isso o Governo Federal incentivou a criação de novos cursos, com novas modalidades. Cursos que fossem diferentes dos modelos tradicionais, e prioritariamente curso noturno também, para atender jovens trabalhadores nesse processo de democratização do acesso a permanência do ensino superior no Brasil. Esse era um projeto do governo do Partido dos Trabalhadores, então é dentro do REUNI, deste processo de restruturação, que surge esses cursos de Licenciaturas Interdisciplinares de Ciências Humanas, Ciências Naturais e Códigos e Linguagens. Isso surge exatamente como uma proposta de inovação curricular e educacional no Brasil. A palavra-chave era inovação. Inovação curricular, Inovação metodológica, Inovação na formação docente. Então podemos dizer que este curso é um curso inovador.
A Universidade Federal do Maranhão aceitou implantar essa nova modalidade de curso interdisciplinar. Somos pioneiros. Assim, precisamente no dia 16 de agosto de 2010 iniciamos os trabalhos aqui no campus de Bacabal com esse curso de Licenciatura em Ciências Humanas. No início o formato interdisciplinar desse curso era muito radical, o curso não tinha uma matriz curricular com as disciplinas que deveriam ser cursadas pelos discentes. Ele tinha uma matriz de competências e habilidades, que os alunos deveriam conquistar no processo ensino-aprendizagem para se tornarem professores de Ciências Humanas. Ele foi pensado com dois ciclos formativos: nos primeiros três anos uma formação geral que habilitava os alunos para ministrar aulas no Ensino Fundamental maior e, depois, o segundo ciclo tem duração de um ano, nele o aluno escolheria uma área das quatro disciplinas das ciências humanas [Filosofia, História, Geografia e Sociologia] para estudar em seria então habilitado para trabalhar no ensino médio. A proposta era que esses alunos deviam receber dupla certificação, uma primeira certificação para ministrar aulas no Ensino Fundamental do 6º ao 9º ano nas áreas de Ciências Humanas, então na área de Filosofia, Historia e Geografia, e uma segunda certificação após este segundo ciclo de formação que o projeto pedagógico não explicitou como seria. Não estava muito claro como seria isso. Dois anos de funcionamento dessa experiência e o projeto entrou em crise. A Pró-reitoria de Ensino da UFMA pressionada por professores insatisfeitos resolveu fazer Seminários para repensamos nossos cursos. Essas reuniões aconteceram durante o ano de 2012, foram interessantes, mas tensas, pois a heterogeneidade dos agentes do processo provocava tensões nas defesas apaixonadas de modelos pedagógicos e teórico-metodológicos. Foi um tempo de repensar a proposta inicial. Depois de produzirmos quatro cartas, frutos dos debates nos Seminários de Codó, Bacabal, Imperatriz e Pinheiro a Pró-reitoria resolveu de forma unilateral montar algumas equipes para produzirem as matrizes curriculares e, com isso, concluir a reestruturação dos projetos pedagógicos dos cursos. Os cursos inovadores e interdisciplinares foram redesenhados e tornaram-se mais do mesmo. O curso ganhou um formato disciplinar e tradicional. Assim, surgiram as habilitações, a habilitação de Sociologia aqui em Bacabal, em São Bernardo e em Imperatriz; a habilitação de Filosofia e História em Pinheiro e também de História em Codó; e a Habilitação em Geografia em Grajaú. Elas surgiram como uma movimentação interna, como um processo coletivo dos professores do continente, todos ligados profissionalmente a esses novos cursos, esses cursos inovadores que surgem no contexto que falei anteriormente. Depois de muito debate, choro e ranger de dentes, foram produzidas as matrizes curriculares e foram criadas as habilitações em áreas especificas em cada campus. Isso solucionou, em partes, o problema. A tensão e o mal-estar produzidas pela incerteza na execução do projeto desapareceu. Com a reestruturação, aquela coisa confusa de dupla certificação não existia mais, o curso tem uma duração continua de quatro anos mínimos e no máximo de seis anos para integralização curricular. Com uma única certificação como todo curso superior. Mas, para equacionar tantas áreas do conhecimento o curso tem quase três mil e cem horas. Um curso grande, porque a maioria dos cursos de licenciaturas no Brasil tem duas mil e oitocentos e oitenta horas e o nosso curso tem mais de três mil horas.
O funcionamento do curso hoje, perdeu muito da interdisciplinaridade inicial. Antes era muito aberto porque não tinha uma matriz curricular. Não existia disciplinas a serem cursadas, trabalhávamos com projetos pedagógicos. Os projetos no processo de elaboração, planejamento e execução faziam com que os professores juntos pensassem estratégias de aprendizagem de ensino diferenciados. As turmas de 2010 e 2011 foram favorecidas por esse tipo de trabalho pedagógico. As pedagogias de projetos começavam no primeiro período e deveriam acontecer até o final do curso, a proposta era essa, mais só foi até 2012.Como explique, em 2012, aconteceu uma reestruturação do curso e foi produzido um novo desenho para o curso. O que temos hoje é um curso que se tornou muito tradicional, perdeu-se praticamente toda sua dinâmica interdisciplinar. Para corrigir o problema de origem, caímos na vala comum dos cursos disciplinares. Mas apesar dessa estruturação que engessou, acredito que um diferencial em nosso curso são os projetos que são desenvolvidos por professores, projetos ligados á área da docência, mas que não atingem todos os alunos. O PET Ciências Naturais, por exemplo, é uma modalidade de trabalho que visa essa questão educacional, porque essa é a proposta inicial deste PET. Ele é um PET interdisciplinar composto pelos Cursos de Ciências Naturais e Ciências Humanas. Temos também o PIBID, e aqui no Campus de Bacabal nós temos cinco subprojetos desenvolvidos pelo PIBID: o subprojeto Diversidade da Educação do Campo, o subprojeto Interdisciplinar que articula Ciências Humanas e Ciências Naturais, o subprojeto de Ciências Humanas e o subprojeto de Ciências Naturais. Estes subprojetos envolvem um número significativo de alunos do Campus de Bacabal. Eles são privilegiados neste processo de formação pedagógica, pois a formação destes bolsistas articula logo no início uma articulação entre teoria e prática, isso com certeza fará diferença na atuação destes futuros professores no mercado de trabalho. Por atuarem nesses projetos pedagógicos recebem uma formação mais sólida, uma formação mais consistente no sentido de que não ficam só no campo da teoria, das especulações teóricas idealizadas. O contato com a realidade escolar no processo de formação, produz um diferencial na construção da identidade profissional. Os alunos bolsistas do PIBID já colocam os pés na realidade escolar no segundo período do curso. Coisas que a maioria dos alunos só vão ter contato com a realidade profissional no período do estágio obrigatório. Além do PIBID existem pesquisas, trabalhos de pesquisa desenvolvidos por vários professores aqui no Campus que também são importantes no processo de formação dos nossos alunos. Mas não saberia dizer quanto e quais são é necessário consultar os arquivos.
Além das pesquisas, nós temos também alguns projetos de extensão desenvolvidos no Campus, existe um grande projeto de extensão coordenado pela professora Janayna Cavalcante. Esse projeto é muito interessante do ponto de vista pedagógico e pelos diálogos que provoca entre a Universidade e as comunidades tradicionais de Bacabal e das regiões. Este projeto envolve agricultores, os quilombolas, pessoas realmente que estão dentro de comunidades tradicionais. Tenho também desenvolvo um projeto de extensão, aqui no Campus há algum tempo, que é o Cine-Filosofia, e ele tem uma importância pedagógica porque a ideia que tento desenvolver é que é possível pensar filosoficamente a partir do cinema. Os filmes carregam uma potencialidade pedagógica porque existe um interesse por parte de alunos, e das pessoas em geral, em assistir um bom filme. Então, você assiste o filme e faz um debate a partir dele. Tenta compreender internamente o que esse filme traz com o debate filosófico. O projeto já tem uma duração de quatro anos, e é um projeto que tem um papel importante no processo de formação dos nossos alunos. Porém, tem um limitador, ele acontece uma vez por mês, apenas uma vez por mês realizamos sessões do projeto Cine-filosofia, que se divide em três momentos: assistimos ao filme, depois apresentamos uma leitura filosófica possível a partir das ideias desenvolvidas na produção cinematográfica e, por fim, provocamos um debater com todos os participantes. Essa atividade pedagógica acontece em sala de aula, dentro das condições que temos aqui, na realidade do nosso campus. A partir do mês de novembro de 2016, quero destacar que o projeto ganhou um reforço na organização, divulgação e execução com a parceria do PET Ciências Naturais e Cine-filosofia. Os bolsistas do PET chegaram para somar com este nosso projeto.

PET: PROFESSOR E SOBRE A IMPORTÂNCIA E CONTRIBUIÇÃO DESSE CURSO PARA REGIÃO?
Prof. Cléver Fernandes:

Acredito que a formação de professores em si e por si já é importante independente da região. A formação docente num estado carente de professores habilitados torna-se algo ainda mais importante. Pois como sabemos o estado do Maranhão é muito carente de professores habilitados, então este curso de licenciatura no interior do Maranhão é importantíssimo. Estamos falando de melhorar a qualidade do ensino básico da rede pública e privada da região do Vale do Mearim. Se você fizer uma rápida pesquisa nas escolas públicas e nas escolas em geral, no estado do Maranhão vai encontrar muitos professores não habilitados dentro de sala de aula, ministrando aulas sem o mínimo de preparo pedagógico, assim, sem dúvida, essa proposta de formar professores aqui é muito importante. Penso que a presença da UFMA no interior é uma forma de democratizar o acesso ao ensino superior de qualidade. Lamentável é perceber a movimentação deste governo ilegítimo querendo roubar direitos da população mais carente do Brasil, num processo sistemático de ataques as Universidades Federais. Mas, nossa presença há mais de sete anos aqui funcionando regulamente trará efeitos significativos para essa região. Tenho convicção que em breve vamos perceber os efeitos nas escolas de Bacabal e região. Não estamos aqui apenas ministrando aulas, temos como falei anteriormente vários projetos de pesquisa e extensão no Campus de Bacabal. Estamos realizando aquilo que é o tripé da vida universitária: ensino, pesquisa e extensão. Essa prática amplia a visão dos nossos alunos e não tenho dúvida, nós estamos ajudando de fato a ampliar e a melhorar a qualidade do ensino ofertado nas escolas públicas na Região do Vale do Mearim.

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