FOLCLORE MARANHENSE

Por: Eliúde dos Santos Alves, Lucas Casemiro Soares Ferreira – Discentes do Curso de Licenciatura em Ciências Humanas com Habilitação em Sociologia; e Meubles Borges Júnior – Tutor do PET.

No final do século XVIII a cultura popular começou a despertar a atenção de diversos intelectuais europeus. Nessa época a Europa passava por diversas transformações, e os intelectuais viram nas festas, poesias, danças, entre outros, uma forma cultural de preservação do espirito e da essência do povo.

Em 1848 o arqueólogo inglês William Jonh Thoms propôs, em uma carta publicada na Revista The Atheneum, o termo folk-lore (“saber tradicional do povo”) para designar os estudos das antiguidades populares. A partir disso o termo folclore se tornou sinônimo de cultura popular. O surgimento da palavra “folclore” passou a ser vista como uma fonte de estudo, surgindo então a necessidade de um maior aprofundamento científico. Deste modo os cientistas Edward Tylor, Andrew lang, George Gomme e Thomms fundaram em 1878 a “Folklore Society” (Sociedade Folclórica) em Londres. Essa associação promovia debates envolvendo questões folclóricas, sendo como principal objetivo a conservação de tradições populares.

Atualmente o termo “Folclore” engloba os estudos das narrativas tradicionais, costumes tradicionais, superstições e crenças, e a linguagem popular. Na América, após o termo ter sido difundido, foi fundada a “American Folklore Society” (Sociedade Americana de Folclore), em 1888. A partir dessa época o estudo sobre o folclore passou a envolver os cantos, as crenças, os dialetos e etc., os usos e costumes, as narrativas, os contos e mitos, e outros.

No Brasil dentre os precursores dos estudos folclóricos destacam-se Sílvio Romero, Mário de Andrade, Amadeu Amaral, entre outros. Estes e outros folcloristas organizaram o I Congresso Brasileiro, realizado no Rio de Janeiro em 1951, onde debateram características que foram atribuídas ao folclore. Diante de todos os debates sobre o folclore no Brasil, em 1995 surgiu à necessidade de rever a primeira carta do Folclore Brasileiro, produzida em 1951. Dessa forma, no VIII Congresso Brasileiro de Folclore, realizado em Salvador, Bahia no ano de 1995, procedeu-se à releitura desse documento, ficando caracterizado como fato folclore:

“Folclore é o conjunto das criações culturais de uma comunidade, baseado nas suas tradições expressas individualmente ou coletivamente, representativo de sua identidade social. Constituem-se fatores de identificação da manifestação folclórica: aceitação coletiva, tradicionalidade, dinamicidade, funcionalidade. Ressaltamos que entendemos folclore e cultura popular como equivalentes, em sintonia com o que preconiza a Unesco. A expressão cultura popular manter-se-á no singular, embora entendendo-se que existem tantas culturas quantos sejam os grupos que as produzem em contextos naturais e econômicos específicos. (CARTA DO FOLCLORE BRASILEIRO, 1995 [s.n.])”

Através da releitura da Carta do Folclore Brasileiro foi possível compreender que o fato folclórico nasceu da criação do povo e que é por todos aceito, e vivenciado por todos nós em nosso cotidiano, seja nas superstições, remédios caseiros, ditos populares, provérbios, entre outros.

Existe uma grande diversidade cultural no Brasil, resultante da grande miscigenação de raças ocorrida no período colonial. No Estado do Maranhão esse fato não é diferente, pois tivemos grande influência dos colonos – Franceses, portugueses, negros, dentre outros, além dos nativos aqui já existentes. Os portugueses como principal colonizador, dentre outras influências deixaram sua língua de forma marcante. Entretanto, não menos importante foram as influências deixadas pelos índios e negros com seus costumes – danças, músicas, dialetos, mitos, comidas, artefatos, entre outros. Ressaltaremos algumas das principais representações do folclore maranhense:

Cacuriá: dança de roda muito envolvente principalmente pela sua sensualidade, que tem instrumentos de percussão como acompanhamento.

Dança do Coco: dança de roda cantada e acompanhada por palmas, pandeiros, ganzás e cuícas. Tem uma coreografia complexa, baseada em sapateados, e rodas com batidas de coco. Nasceu do trabalho de camponeses nos babaçuais, é uma dança de roda

Tambor de Crioula: dança de roda em que se destacam as expressões corporais apresentadas por mulheres. Sua coreografia é desenvolvida no interior de um círculo, formado pelas mulheres dançantes e pelos homens tocadores de instrumentos de percussão.

Bumba meu boi: principal atração das festas juninas do Maranhão, ou festejos de São João (Santo Antônio, São João, São Pedro e São Marçal). Apesar do bum meu boi ser a principal atração desses festejos, outras manifestações folclóricas, enraizadas à cultura maranhense, também integram sua programação. Alguns estudiosos atribuem seu surgimento ao ciclo do gado no Nordeste. A popularização do Bumba meu boi está relacionado a estória de um boi furtado do amo, por Pai Francisco para satisfazer os desejos de sua mulher, Catirina, que estava grávida e desejava comer a língua do boi Mimoso do dono da fazenda (amo do boi). Depois de muita procura, o boi é encontrado. Algumas tradições falam que o boi é encontrado doente e é curado por um pajé (Índio curandeiro), outras dizem que o boi é encontrado doente e curado pelo pajé. Com a cura ou ressureição do boi, Pai Francisco é solto e perdoado e começa a grande festa de comemoração do retorno do boi.

Reggae: música e dança de origem negra. No Brasil, após muitas lutas enfrentadas para sua aceitação, a cidade de são Luís passou a ser considerada a capital do reggae. Entretanto, a disseminação do reggae começou efetivamente na Ilha de São Luís a partir de uma festa de recepção dos calouros da Universidade Federal do Maranhão (UFMA), promovida pelo Diretório Central dos Estudante (DCE) em 1986. Desde então, esse ritmo musical e sua dança começaram a quebrar a barreira do preconceito. Tem como grande diferencial aqui no Maranhão sua sensualidade na execução dos movimentos.

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REFERENCIAS

 

DELBEM, Danielle Conte. Folclore, Identidade e Cultura. 7 p. (Especialista em gestão educacional pela UNICAMP). Centro Universitário de Araras “Dr. Edmundo Ulson”.

 

ROCHA, Gilmar. Cultura Popular: Do Folclore ao Patrimônio. 19 p. (Doutor em Ciências Humanas). Universidade Federal do Rio de Janeiro. Disponível em: <http://www.visitesaoluis.com/cultura&gt; Acesso em: 24 de agosto de 2016.

 

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